Um país sem internet: A Coreia do Norte e o roubo de US$ 6,75 bilhões em cripto
A Coreia do Norte, um país amplamente conhecido por sua política de isolamento e controle rigoroso sobre a informação, surpreendeu o mundo ao se tornar um dos maiores ladrões digitais da história. De acordo com o FBI, esse regime, que possui uma população de 26 milhões de pessoas e menos de mil acessos à internet global, conseguiu roubar impressionantes US$ 6,75 bilhões em criptomoedas. Este artigo explora como um país sem internet se tornou um protagonista no mundo do crime cibernético e as implicações disso para o mercado de criptomoedas.
O sistema educacional e a formação de hackers
O regime norte-coreano tem um método peculiar para identificar e formar seus hackers. Desde a infância, crianças com aptidão excepcional em matemática e ciências são selecionadas para um programa educacional de elite. Este programa, que dura seis anos e é realizado em período integral, visa preparar os alunos para se tornarem especialistas em tecnologia. Após essa fase, os melhores alunos são enviados para o Mirange College, onde recebem treinamento avançado em criação de vírus e invasão de sistemas.
Entretanto, a falta de infraestrutura de internet na Coreia do Norte impede que esses hackers operem diretamente de seu país. Como solução, o regime envia os mais talentosos para a China, onde eles trabalham em hotéis e empresas de fachada. Por trás dessas aparências formais, os hackers norte-coreanos realizam atividades ilícitas, roubando centenas de milhões de dólares e enviando os lucros de volta para Pyongyang.
O Lázaros Group e suas operações
Um dos grupos mais notórios envolvidos nesses crimes é o Lázaros Group, que opera sob a supervisão do RGB, a agência de inteligência militar da Coreia do Norte. Em vez de atacar alvos óbvios, o Lázaros Group adotou uma abordagem paciente e estratégica. Em 2014, o grupo hackeou a Sony Pictures em resposta a um filme que não agradou ao regime. Em 2016, quase conseguiram roubar US$ 1 bilhão do Federal Reserve de Nova York, mas um erro de digitação impediu o sucesso da operação, bloqueando 900 milhões de dólares.
Após esses incidentes, o Lázaros Group aprendeu que as criptomoedas apresentavam menos barreiras de segurança em comparação com os bancos tradicionais. Em 2017, lançaram o WannaCry, um ransomware que infectou 300.000 computadores em 150 países, causando interrupções significativas, como a paralisação de hospitais no Reino Unido. Esse ataque serviu como um treinamento para o grupo, que, a partir de então, focou suas operações nas exchanges de criptomoedas.
O impacto dos roubos de criptomoedas
Entre 2017 e 2025, o Lázaros Group conseguiu roubar impressionantes US$ 6,75 bilhões em criptomoedas. Em 2025, a Coreia do Norte foi responsável por 76% de todos os roubos de exchanges no mundo, o que equivale a um grande roubo a cada 20 dias. O golpe mais significativo ocorreu em 21 de fevereiro de 2025, quando o grupo conseguiu roubar US$ 1,5 bilhão da Bybit, alterando o código de JavaScript da carteira e enganando um único desenvolvedor por meio de engenharia social.
Implicações para o mercado de criptomoedas
A lição que se extrai dessa situação é alarmante. A maior ameaça ao mercado de criptomoedas não provém de hackers amadores, mas sim de um estado soberano que treina um exército de hackers desde a infância. Segundo informações da ONU e da Casa Branca, metade do programa de mísseis da Coreia do Norte é financiada com criptomoedas roubadas. Cada unidade de Ethereum que desaparece de uma exchange pode se transformar em combustível para um míssil, levantando sérias questões sobre a segurança das plataformas de criptomoedas.
Conclusão
O caso da Coreia do Norte, um país sem internet que roubou US$ 6,75 bilhões em cripto, serve como um alerta para todos os envolvidos no mercado de criptomoedas. A segurança das exchanges deve ser uma prioridade, e a conscientização sobre as ameaças cibernéticas deve ser ampliada. À medida que o mundo digital avança, é crucial que investidores e usuários de criptomoedas permaneçam vigilantes e informados sobre os riscos que podem afetar seus ativos.
